Caracterização genética do genoma completo de uma cepa do vírus Chikungunya que circula no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.22579/20112629.789Palavras-chave:
Vírus alfa emergentes, febre de Chikungunya, genoma, sequenciamentoResumo
O vírus Chikungunya (CHIKV) é um vírus de RNA de sentido positivo de cadeia simples que pertence ao gênero Alphavirus da família Togaviridae. É transmitido principalmente por mosquitos Aedes aegypti e albopictus. Seu genoma codifica quatro proteínas não estruturais (NSP 1-4) e três proteínas estruturais (C, E1 e E2). Quatro linhagens desse vírus foram identificadas, a saber: as linhagens da África Ocidental, da África Oriental, da África Central e Sul (ECSA), Asiática (AL) e do Oceano Índico (IOL). O CHIKV é um arbovírus endêmico que circula em 51 países das Américas. As manifestações clínicas atribuídas a ele incluem febre alta, erupção cutânea, mialgia e episódios de artralgia, que, subsequentemente, levam a dores crônicas e incapacidade, especialmente nas articulações. A sequenciação completa do genoma do vírus Chikungunya é essencial para compreender sua biologia, evolução e propagação, além de desenvolver estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento. Essas informações são cruciais para combater a doença e minimizar seu impacto na saúde pública. Por essas razões, o genoma completo da cepa do vírus Chikungunya br33, identificada na cidade nordestina de Recife, no estado de Pernambuco, Brasil, foi sequenciado. O genoma tem um tamanho de 11.601 nucleotídeos e contém regiões de codificação para duas poliproteínas. Uma análise filogenética indica que a recente cepa brasileira do CHIKV pertence à linhagem da África Oriental, Central e Sul (ECSA). Essa identificação filogenética é importante porque esse genótipo em particular tem sido associado a maiores danos e gravidade clínica. Até 2016, o vírus CHIKV estava diretamente associado a viagens, e sua transmissão era limitada. Posteriormente, ocorreu o maior surto no estado associado à introdução de uma nova linhagem ECSA, como identificada neste estudo. É altamente provável que novos surtos de CHIKV ocorram em um futuro próximo devido à abundância de vetores competentes no Brasil e a uma população suscetível, expondo mais de 11 milhões de habitantes a um risco crescente de infecção.
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